sábado, 7 de setembro de 2013

Manifesto FÊMUR

Somos aqueles que fazem por saber que devem fazer, por saber o quê vão fazer e por saber porque fazer. Ou somos aqueles que mal sabem. Somos, sobretudo, aqueles que sentem.
Somos aqueles que sentem o mundo, a evolução ou a progressão do mundo; ou regressão, involução, estagnação, fluidificação.
Sentimos a condição humana, a alma, a angústia, a calma, a euforia e a libertação. Não sentimos o que não é humano. E para nós tudo o que se relaciona com o homem também é humano. Ser gente é uma questão de perspectivismo.
Nossos braços, nossos abraços, se estendem aos outros animais e às plantas, se estendem às estruturas metálicas, às tintas, à arte contemporânea, moderna, clássica, antiarte. Nossos braços, nossas mãos, afagam as letras, acalentam os poemas, estrangulam as canções. Nossos braços, nossas pernas, passeiam pelas ruas, rastejam pelos guetos, desfilam pelas passarelas. Nós subimos o morro, nós descemos a serra. Nós gritamos por paz, nos armando pra guerra.
Somos aqueles que enfiam o dedo na ferida, no sulco mais profundo, fazendo o fluido quente e bicolor de pus e sangue escorrer para fora. Somos aqueles que atravessam nervos e fios de rede, atravessam músculos e cabos flat. Somos aqueles que encostam no osso: plug'n'play.
Somos discurso direto cheio de curvas. Somos retas paralelas que se cruzam no infinito, porque no infinito tudo se cruza. Somos o cruzamento da essência da verdade com a falsidade supérflua. Somos o pouco que importa de uma miríade de coisas. Somos a simplicidade de todas as complexidades. Somos despretenciosos cheios de pretensões. Somos aqueles que nunca se cansam, mesmo cansados de tudo.
Aqui tudo se aproveita. Aqui tudo reverbera. Aqui é solo fofo e fértil. É água movediça e profunda. É fogo estúpido e vento breve.
Fêmur: o osso mais longo do corpo humano. O mais resistente também. O que articula o andar e que leva o homem a progredir num dos movimentos mais simples e mais revolucionários: o passo.

Obs.: Esse manifesto nem é mesmo um manifesto, pois não visa estabelecer os princípios de um futuro desejado como faziam os manifestos característicos da arte moderna. A utopia é aqui e agora. E quando já parece que ela é real e concreta, ela já não é o que se quer e o que se quer já não é o que ela poderia ser. Fêmur é um ciclo utópico, entrópico nos trópicos cheios de psicotrópicos.

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